Panta Rei

“Vivemos em tempos líquidos. Nada é feito para durar”. Tal frase, cuja autoria pertence ao sociólogo Zygmunt Bauman, remete-nos ao fato de que vivemos em tempos de perdas. Não de objetos comuns como carteiras, meias ou chaves, mas perdas que acarretam problemas no âmbito social. Como assim?

Devemos encarar o fato de que nada é estático. E quando se trata de relações humanas, é muito mais fácil chegar à conclusão de que as metamorfoses pelas quais passamos em nossa vida nos tiram muito mais coisas do que imaginamos. Mas muitas delas passam desapercebidas, sem sofrimento algum, pois fazem parte de nossa existência.

Creio que o leitor já ouviu falar sobre obsolescência programada. Objetos como lâmpadas, celulares, computadores, entre outros, são dotados com um determinado prazo de vida, para o consumidor poder novamente comprar um substituto e assim, girar a roda da economia. As relações humanas também são dotadas de obsolescência programada, portanto, são perecíveis.

E não é necessário muito esforço para perceber tal acontecimento. Basta olhar para sua própria história. Quantos amigos você possuía no passado e quantos amigos você possui hoje? Mas quantidade não define sentimentos verdadeiros, então a pergunta ideal seria: quantos amigos do passado ainda são seus amigos hoje?

Imagino que a resposta a esta última pergunta seja negativa. Justamente pelo fato de que relações humanas são contingenciais, frutos do que chamamos de amadurecimento. À medida que vamos crescendo, nossos gostos, os aspectos de nossa personalidade, o modo como vemos as coisas e até mesmo nossas preferências tranformam-se continuamente. Somos seres que se encontram em constantes mudanças. E como consumidores, sempre estamos à procura de substitutos, de pessoas que se adequem às nossas mudanças, que compartilhem das nossas novas ideias e pensamentos.

Não se surpreenda com o fato da sua lista de contatos do celular estar diminuindo. Não se desespere quando você não sentir mais falta de uma determinada pessoa. Não se aflija quando não for chamado para um churrasco, uma festa, até mesmo um casamento ou qualquer outro entretenimento. O fenômeno existencial mais comum na vida de um ser humano é a mudança e quem não aceita isso está fadado à verdadeira solidão de espírito. Tudo muda, “tudo flui” e nada dura para sempre!

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